cultura imbecil

posso ser hostilizada por escrever as seguintes linhas. mas ninguém, além de eu mesma, lê esse blog mesmo…

ontem, dia 01 de julho de 2009, aconteceu a final da Copa do Brasil. A fase final composta de dois jogos, teve o dia D no estádio Beira Rio, em Porto Alegre-RS.

como corinthiana e paulista eu deveria escrever sobre a vitória do Timão ou sobre o orgulho de ter nascido e registrado em minha certidão de nascimento que vim do estado de SP.

mas hoje, somente hoje, eu decidi escrever sobre outro fato. ainda que pareça o que eu diga pareça estar em desalinho com o parágrafo anterior.

lendo o blog do repórter Felipe Andreoli, que trabalha no programa semanal CQC, eu tive a confirmação de um raciocínio que, por vezes, julguei preconceituoso.

o citado repórter esteve na noite de ontem, cobrindo o evento e, segundo seus relatos, antes mesmo de começar a gravar, foi agredido por torcedores entitulados Colorados. Os Colorados, são aqueles que vestem a camisa do Internacional, time de futebol proviniente do estado do Rio Grande do Sul.

que futebol é, certas vezes, cercado de idiotas todos nós já sabemos. e também nos pegamos proferindo comentários banais, como qualquer torcedor apaixonado. nisso eu me incluo, ontem foi o dia em que mais falei palavrões em minha vida, talvez não tanto quanto o dia que roubaram o meu carro.. mas isso é outro fato.

torcer para um time, de coração, nos deixa bobos e às vezes, imbecis. tudo depende do momento. bobos e imbecis há aos montes, mas há um número desconhecido daqueles que não conseguem dimensionar o tamanho das atitudes atreladas aos adjetivos.

eu poderia escrever sobre a pancadaria gratuita fora de campo, com a equipe do CQC, ou dentro de campo, com os jogadores exaltados dos dois times.

mas não, prefiro escrever sobre a barbaridade (e não é que a palavra é adequada?) que o repórter Felipe Andreoli divulgou sobre os comentários feitos sobre o relato da agressão sofrida por ele.

os comentários se baseiam somente na cultura disseminada na parte sul do país. obviamente eu não vou condenar o estado inteiro. toda regra tem sua excessão e essa não será diferente.

escrevo essas linhas somente por já ter compartilhado o convívio com muitos e muitos cidadãos do sul. pra quem não sabe, sou filha de militar, moro em brasília e por muitos anos vivi em uma vila militar. inexplicavelmente brasília e suas vilas militares são sedes de uma grande e imensa camada de gaúchos. e eles, ou parte deles, ao menos a maioria que convivi, imagina que o Rio Grande do Sul é um país. um país que não necessariamente precisa estar separado do Brasil para ser maior e melhor do que todos os outros estados que compõe a chamada Terra Basilis.

não sei o que acontece. não sei se existe uma matéria agregada ao currículo escolar. não sei se as músicas regionais incitam um movimento regionalista. de fato, eu não sei.

o que sei é que esse tipo de raciocínio é digno de asco. mas ainda assim ele se propaga.

sei que os comentários que li no post do repórter comprovam o meu pensamento. quiçá até o pioram.

a repulssa por esse tipo de cultura de imbecilidade é tanta que me fez vir aqui, gastar preciosos minutos de minha hora pós trabalho, pra registrar o que senti.

melhora alguma coisa? não. eu sei que não. mas quem sabe, somatize o que outras pessoas, que não eu, digam por aí em situações envolvendo tal cidadãos eminentes daquela região do país.

ainda que pareça ridículo eu perder o meu tempo pra escrever sobre isso, acho válida a perda. quem sabe um dia, que eu não esteja mais aqui para ler, atitudes como essa possam não mais existir. quem sabe, no mínimo serem mais consideradas e não classificadas como pensamentos preconceituosos de outros transeuntes desse mundão. mundão aquele que com certeza não é o mesmo que o dos pampas. afinal eles são intergaláticos e não apenas interplanetários…

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